Persona x Público-Alvo: Qual usar e por quê?
Essa é uma das dúvidas mais comuns de quem está começando a construir sua presença digital. E a resposta não é “um ou outro”, é entender o papel de cada um.
Público-alvo é um conjunto de pessoas que compartilham características em comum e que você atende. Por exemplo:
Homens com mais de 40 anos que praticam corrida.
Concorda que vários homens se encaixam nesse perfil? E é exatamente por isso que o público-alvo é útil: ele te dá uma direção. Com ele em mãos, você já consegue criar conteúdos relevantes como:
– Alimentos ideais para consumir antes da corrida
– O melhor pós-treino após uma meia maratona
– Como se hidratar corretamente durante os treinos
– Estratégias nutricionais para preservar a massa magra
Até aqui, faz sentido. Mas aí vem a pergunta que muda o jogo:
E o que é essa tal de Persona?
A persona é uma pessoa fictícia criada a partir do seu público-alvo. Você vai “inventar” alguém, mas com base em dados reais do seu público, comportamentos, dores, desejos, hábitos e rotina.
“Mas por que criar uma pessoa imaginária?”
Porque quando você escreve para “homens acima de 40 que correm”, você fala para uma multidão. Quando você escreve para o **Ricardo**, você fala com uma pessoa. E é aí que a conexão acontece de verdade.
Conheça o Ricardo:
Ricardo Albuquerque
Idade: 38 anos
Profissão – Engenheiro Civil / Gerente de Projetos
Estado Civil: Casado
Localização São Paulo, Zona Sul
Renda R$ 12k – R$ 20k/mês
Relação com a Corrida
– 5 anos de prática consistente
– Treina 5x por semana (4 corridas + 1 fortalecimento), acordando às 05h30
– Nível intermediário/avançado amador, já correu meias maratonas e agora mira sua primeira maratona completa
– Objetivo: “Quero melhorar meu pace nos 42k sem me lesionar.” Ele já passou da fase de “só completar a prova”. Agora quer performance e evolução.
Perfil Comportamental
– Pós-graduado (MBA ou especialização)
– Não gasta com supérfluos, mas investe pesado em performance: tênis acima de R$ 800, relógio GPS avançado
– Luta para equilibrar uma rotina profissional estressante com a busca por resultados esportivos
– Sofre com dores recorrentes no joelho ou canelite e tem medo de não aguentar a maratona
Onde ele está digitalmente
1. Strava: Usa diariamente. Posta treinos, compete em segmentos. *Se o nutricionista não está no Strava, não existe para ele.*
2. Garmin Connect / Coros: Analisa FC, VFC e carga de treino religiosamente
3. YouTube: Assiste canais de corrida e treinadores. Busca dicas de fortalecimento e reviews de tênis
4. WhatsApp: Grupos da assessoria esportiva para combinar os treinos longos de domingo
5. Podcasts: Escuta durante os treinos longos: tecnologia, negócios e corrida
Pontos de contato físico: lojas especializadas (Track&Field, Asics, Mizuno), feiras de corrida e a clássica padaria do pós-treino de domingo.
Relação com a Alimentação
O que ele acha que sabe
Já leu sobre low carb para endurance
Testa beterraba e café pré-treino
Acha que tem uma dieta “boa” porque não come fritura
O que ele ignora
A importância da periodização nutricional
Que subestima a hidratação durante o treino
Que o gel novo na prova pode causar dor de estômago
Na prática: come marmita fitness durante a semana e no fim de semana a cerveja e o churrasco são **sagrados** — e fonte de culpa.
As dores dele (onde você entra)
1. “Meu pace não evolui” Treina pesado, mas o cronômetro não abaixa. Suspeita que a alimentação é o gargalo.
2. “Medo da lesão” Quer saber o que comer para fortalecer tendões, evitar câimbras e recuperar mais rápido.
3. “Quebrei nos últimos 5km” Precisa de uma estratégia nutricional para o dia da prova: pré, durante e pós.
4. “Happy hour x treino” Como tomar a cerveja na sexta sem comprometer o intervalo de quinta?
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O que ele quer ouvir de você
– “Quero um plano que converse com o meu plano de treino, não uma dieta genérica.”
– “Quero entender o que é comer para performar, não para emagrecer.”
– “Procuro alguém que entenda VAM, Limiar, TSS, não um profissional de dieta da moda.”
– “Se eu seguir isso, vou ganhar quantos segundos por km?”
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**Como abordar o Ricardo**
Proibido: “Vamos fazer uma reeducação alimentar para você emagrecer.”
(Ele não se vê como “gordo”. Ele se vê como atleta.)
Recomendado: “Vamos otimizar seu combustível para você extrair o máximo do treino e quebrar seus recordes sem se machucar.”
Tom: Técnico, mas acessível. Use dados, explique o “porquê” e mostre que você entende o esporte.
A frase que resume o Ricardo:
“Eu treino sério, tenho planilha certinha, mas sinto que na metade da prova o tanque acaba. Quero um profissional que entenda de esporte e me dê uma estratégia certeira, não só uma lista de alimentos proibidos.”
Percebeu a diferença?
Com o público-alvo, você tem uma direção. Com a persona, você tem um destino exato.
Quando você sabe que o Ricardo analisa dados do relógio, escuta podcast durante o treino longo e tem medo de lesão, você para de criar conteúdo genérico e começa a criar conteúdo que ele para o scroll para ler, porque parece que foi escrito para ele.
Público-alvo te dá munição. Persona te ensina onde atirar.
E você, já tem seu público-alvo e persona definidos? Me conta aqui nos comentários quem é o seu “Ricardo” vou adorar conhecer!